
Você ausente é como tocar um violão e não sair som: mudo e calado.
Você ausente é como pintar um arco-íris e não ter cor: triste e desconfigurado.
Com sua ausência, fico inerte. Sou composto de aparências.
Você ausente, banho-me de luz noturna.
Você ausente, minha mão não se acomoda: inquieta, ela escreve.
Com sua ausência, meus olhos congelam. Sou apenas um sonhador.
Você ausente, meu coração transborda no meu peito.
Você ausente, os segundos, os minutos se multiplicam.
Com sua ausência, abraço-me. Sou apenas a esperança.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
VOCÊ AUSENTE
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
POR QUE?

Por que tomar chuva com a boca aberta, mostrando a língua para o céu?
Por que rir e chorar ao mesmo tempo?
Por que andar num caminho duro, árduo e cheio de pedras?
Por que passar a noite se remoendo, tentando definir sua vida em meio segundo?
Por que proibir seu coração de sentir?
Por que se ferir antes de amanhã?
Por que sofrer por incertezas?
Por que? Simplesmente, por que?
Pequenas perguntas nos invadem. Fazem eco no vazio do nosso ser. Construímos pensamentos superficiais que vivem dias.
Mas erguemos castelos que nos fortificam. As certezas. As surpresas do grande teatro da vida.
Sem data, sem hora, sem tempo, sem nada: acontece. Simples como respirar o ar: aconteceu.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
LÍRIOS

Lírios:
Imagem em minha parede.
Retratam a sua presença presente.
Indago-me:
O que pensas linda mulher?
Soa dentro de mim as mais belas possibilidades.
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
ATÉ DAQUI A POUCO

Inalo o perfume, encosto meus lábios em seu pescoço.
Lentamente abro os olhos.
Meus dedos deslizam no contorno da tua boca,
em teu queixo, meus dedos repousam: palpo três ‘pintinhas’, duas ‘covinhas’.
Novamente, nos abraçamos: no alto da escada e ao lado da porta: um beijo.
“Até daqui a pouco”.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
BORBOLETA DE SONHO

- Não suba! – ouvi uma voz.
Indaguei-me: - porque?
O silêncio se fez. No alto, no meio do caminho.
Abaixo: terra firme. Ao alto: a totalidade. Um sonhador.
Na circunferência quadrada, que se estreita a cada passo, o medo se propagou em meu corpo. Corpo sofrido que clamava por piedade. Que gritava. Olhos distantes, sem qualquer ponto de fuga: o pânico.
O vento suavemente tocava meu rosto. A poeira ergue-se. Minha visão se embaraçou. Novamente, uma voz inexpressiva ressurgiu:
- Onde pensas que vai, ser humano?
Caído, ferido e indefeso, num mundo impróprio, desconhecido pela vida humana, tento gritar. Mas é em vão.
Minha fala se perde no vazio. Meus olhos não são mais os mesmos: agora, cegos. Não ouço a brisa acariciar minha escalada.
Estou só. Estraçalhado. Sem ninguém.
Ainda me movendo, minhas mãos se perdem no meio do nada: do desconhecido. Com os dedos esticados ao alto, posso sentir o vento. Meu caminho é trilhado pelo humilde e generoso toque das mãos. Continuo a subir.
Se rastejando pelos infinitos corredores sem paredes, paro, bruscamente. Não há mais subida. A altura se elevou ao máximo. Estou num lugar plano e iluminado. Uma luz. Eu sinto. Uma presença. Sinto.
No cume da pirâmide sou erguido. Eu cresço. Me fortaleço. Minhas mãos são agarradas. Meu corpo abraçado. O calor: o fogo. Pés firmes: a terra.
No vazio do meu corpo, um nobre casulo nasce. Colorido. Único. Logo se abre. Uma borboleta voa dentro do meu ser. Bela, expressiva, viva. Em meu peito ela vive: alcançando seu vôo.
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sexta-feira, 27 de março de 2009
NOMEIA, MOÇA

Debruçado, lutando contra o sono não me entrego.
Entrego-me para ti mulher.
O vento, calmamente palpa minha janela, como se quisesse fazer perguntas:
“ O que pensas pobre homem?”, “ Sua lâmpada não trará sua verdadeira luz”, ele diz.
O vento trouxe-me tu para desejar e querer-te.
“O vento da vida” soprou meu querer para dentro do mundo que vivo:
o mundo das possibilidades.Onde tudo é possível.
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quinta-feira, 26 de março de 2009
ME GUSTAS CUANDO CALLAS...
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas , llena del alma mía.
Mariposas de sueño te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
Claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
y estoy alegre, alegre de que no sea cierto
Pablo Neruda
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terça-feira, 24 de março de 2009
TOQUE

Enfim sós. Enfim juntos. Sob o sereno noturno, da noite repleta de espectadores: as estrelas. O luar. Um banho de vitalidade e o esperado: o toque.
Toque das mãos que suavemente mediam cada centímetro de seus dedos, que umedeciam a superfície das minhas palmas, onde cuidadosamente procuravam o refúgio das palavras ditas, lindas e inesperadas.
Toque dos lábios, degustando pedaços da tua boca, cada canto, cada beijar que privilegiava a minha, sentindo os músculos trabalharem levemente para sorrir.
Entre meus braços: tu. Tu moça, do sorriso radiante, dos olhos graciosos, das pernas saltitantes, das mãos macias e expressivas. A exceção.
Sós, sob a Amoreira e as estrelas: o toque.
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quinta-feira, 19 de março de 2009
FRAGILIDADE

O tempo passa num piscar de olhos. A vida voa igual às folhas amarelas: suicidas. Há tanta fragilidade em nós, que nos fazemos de ‘fortes’. Preferimos aparentar uma aparência que não existe. Vestimos uma das máscaras que criamos para cada momento que não queremos revelar nossa identidade. Identidade? Temos?
Razão e emoção: eterna batalha. Árduo é o sofrimento, pela decepção e tempo perdido, mas nada é em vão, creia!
Crer no inesperado, novo, na surpresa da vida, dos sentimentos sem controle, sem pré-conceitos, sem razão, sem questionamentos prévios. Avaliar o terreno: a estratégia lógica para muitos. A vida codificada como um manual para se viver bem:
Artigo 1º. Proibido aceitar o novo: se afaste.
Pena: Dor e lágrimas.
Artigo 2º. Agir sempre com a razão; emoção, extinta de você, demasiado humano.
Pena: você se tornará áspero, rigoroso e cruel. Se poupe.
Mas as exceções surpreendem! O autocontrole não existe. Moderação sim.
Somos máquinas, mas humanas. O diferencial de toda vida que existe no planeta Terra. Somos responsáveis por tudo na superfície terrestre. E acima de tudo, responsáveis por nós mesmos. Responsáveis pelas nossas decisões, palavras ditas e não ditas, atitudes, olhares, uma expressão, um carinho, um não, um sim. Nós somos o que nós mesmos fazemos de nós. Somos infinitos. Somos nós. Eu, você, tu, eles, nós, vós...
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
O SENTIDO DA VIDA: BUSCAR A FELICIDADE OU TER RAZÃO?

A nossa inquietação nos leva a comodidade. Aceitamos tudo. Morremos a cada dia sem perceber. A inércia de pensar atrofia o que chamamos de vida. Afinal, vivemos ou vegetamos?
O mistério da vida é surpreendente. Religiosos crêem em seus deuses. Cientistas, filósofos são racionais. Criacionismo e evolucionismo: opostos. A vida em vários sentidos. Sentir a vida. Qual o sentido da vida?
Um fato é certo: existimos por existir outros humanos. Energia: uma teia inseparável se entrelaça entre nós. Estamos conectados. Tudo gera efeitos. Causa e efeito. Lei Hermética.
Por mais que questionamos a essência da vida humana, nunca saberemos a verdade. O que é verdade? A verdade é um sonho que morrerá dentro de nós.
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