
Pouca luz, poucas palavras.
Dos lábios, beijos.
Dos olhos, carícias.
Das mãos, afagos.
Com a fraca luz povoando seu rosto,
Contorno tua boca com os dedos,
Meço teus olhos com meus,
Beijo-te como se fosse à primeira vez.
Eu e você, entrelaçados como teia,
Juntos como o mar e a areia,
Nos degustamos levemente
Com pouca luz e poucas palavras.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
POUCA LUZ, POUCAS PALAVRAS
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
BRILHO

Busco-me pela imensidão do espaço
Pelo infinito da noite estrelada
Eu, só, aprecio as estrelas,
A milhares de quilômetros
Elas brilham, falam, se comunicam
Em outros ares, uma batalha de titãs
Dois olhos as encaram
Sem intenção de machucá-las
O brilho contemplado pelos olhos distantes,
Penetram na alma pura e doce
Cria-se vida nos formosos olhos
Grandes, eles me iluminam
Não os vejo, mas sinto-os
Presentes, como um leve e benevolente toque
Logo, as distantes estrelas sussurram:
“Achastes teu brilho”
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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16:59
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
TE QUERO

Te quero agora e amanhã
Na calada da noite
Na manhã com névoa
Nos dias com sol e chuva
Te quero agora e amanhã
Quando a luz não me tocar
Quando o silêncio soar
Pelas ruas e esquinas
Te quero agora e amanhã
Além das palavras
Além do óleo sobre as telas
Te quero!
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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16:25
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VOCÊ AUSENTE

Você ausente é como tocar um violão e não sair som: mudo e calado.
Você ausente é como pintar um arco-íris e não ter cor: triste e desconfigurado.
Com sua ausência, fico inerte. Sou composto de aparências.
Você ausente, banho-me de luz noturna.
Você ausente, minha mão não se acomoda: inquieta, ela escreve.
Com sua ausência, meus olhos congelam. Sou apenas um sonhador.
Você ausente, meu coração transborda no meu peito.
Você ausente, os segundos, os minutos se multiplicam.
Com sua ausência, abraço-me. Sou apenas a esperança.
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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16:18
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
POR QUE?

Por que tomar chuva com a boca aberta, mostrando a língua para o céu?
Por que rir e chorar ao mesmo tempo?
Por que andar num caminho duro, árduo e cheio de pedras?
Por que passar a noite se remoendo, tentando definir sua vida em meio segundo?
Por que proibir seu coração de sentir?
Por que se ferir antes de amanhã?
Por que sofrer por incertezas?
Por que? Simplesmente, por que?
Pequenas perguntas nos invadem. Fazem eco no vazio do nosso ser. Construímos pensamentos superficiais que vivem dias.
Mas erguemos castelos que nos fortificam. As certezas. As surpresas do grande teatro da vida.
Sem data, sem hora, sem tempo, sem nada: acontece. Simples como respirar o ar: aconteceu.
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
LÍRIOS

Lírios:
Imagem em minha parede.
Retratam a sua presença presente.
Indago-me:
O que pensas linda mulher?
Soa dentro de mim as mais belas possibilidades.
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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16:40
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
ATÉ DAQUI A POUCO

Inalo o perfume, encosto meus lábios em seu pescoço.
Lentamente abro os olhos.
Meus dedos deslizam no contorno da tua boca,
em teu queixo, meus dedos repousam: palpo três ‘pintinhas’, duas ‘covinhas’.
Novamente, nos abraçamos: no alto da escada e ao lado da porta: um beijo.
“Até daqui a pouco”.
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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08:37
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
BORBOLETA DE SONHO

- Não suba! – ouvi uma voz.
Indaguei-me: - porque?
O silêncio se fez. No alto, no meio do caminho.
Abaixo: terra firme. Ao alto: a totalidade. Um sonhador.
Na circunferência quadrada, que se estreita a cada passo, o medo se propagou em meu corpo. Corpo sofrido que clamava por piedade. Que gritava. Olhos distantes, sem qualquer ponto de fuga: o pânico.
O vento suavemente tocava meu rosto. A poeira ergue-se. Minha visão se embaraçou. Novamente, uma voz inexpressiva ressurgiu:
- Onde pensas que vai, ser humano?
Caído, ferido e indefeso, num mundo impróprio, desconhecido pela vida humana, tento gritar. Mas é em vão.
Minha fala se perde no vazio. Meus olhos não são mais os mesmos: agora, cegos. Não ouço a brisa acariciar minha escalada.
Estou só. Estraçalhado. Sem ninguém.
Ainda me movendo, minhas mãos se perdem no meio do nada: do desconhecido. Com os dedos esticados ao alto, posso sentir o vento. Meu caminho é trilhado pelo humilde e generoso toque das mãos. Continuo a subir.
Se rastejando pelos infinitos corredores sem paredes, paro, bruscamente. Não há mais subida. A altura se elevou ao máximo. Estou num lugar plano e iluminado. Uma luz. Eu sinto. Uma presença. Sinto.
No cume da pirâmide sou erguido. Eu cresço. Me fortaleço. Minhas mãos são agarradas. Meu corpo abraçado. O calor: o fogo. Pés firmes: a terra.
No vazio do meu corpo, um nobre casulo nasce. Colorido. Único. Logo se abre. Uma borboleta voa dentro do meu ser. Bela, expressiva, viva. Em meu peito ela vive: alcançando seu vôo.
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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sexta-feira, 27 de março de 2009
NOMEIA, MOÇA

Debruçado, lutando contra o sono não me entrego.
Entrego-me para ti mulher.
O vento, calmamente palpa minha janela, como se quisesse fazer perguntas:
“ O que pensas pobre homem?”, “ Sua lâmpada não trará sua verdadeira luz”, ele diz.
O vento trouxe-me tu para desejar e querer-te.
“O vento da vida” soprou meu querer para dentro do mundo que vivo:
o mundo das possibilidades.Onde tudo é possível.
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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11:06
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quinta-feira, 26 de março de 2009
ME GUSTAS CUANDO CALLAS...
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas , llena del alma mía.
Mariposas de sueño te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
Claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
y estoy alegre, alegre de que no sea cierto
Pablo Neruda
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Rodrigo Barbosa Urbanski - O Grito
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17:20
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